Crônicas: Episódio 6 | Do sofrimento da culpa à graça do perdão – O Renascimento do Batman

Crônicas: Episódio 6 | Do sofrimento da culpa à graça do perdão – O Renascimento do Batman

Olá, pessoal! Como vão? Chegamos ao nosso sexto episódio do quadro Crônicas e, com ele, trago algo interessante de se observar. Resolvi trazer esse tema em duas partes, para não ficar muito longo e tratar de um personagem por vez, sem ficar maçante. Dito isso, começaremos a primeira.

Todos nós, seres humanos, criaturas mortais, temos algo em comum, independente da raça, nacionalidade, sexo ou qualquer outro fator. O que nos torna seres imperfeitos é justamente nossa capacidade de errar. Muitas vezes, por nossos erros, carregamos conosco um peso que, quase sempre, é difícil de suportar. Seja por algo ruim que fizemos, onde nos sentimos culpados por algo pelo qual nos arrependemos, ainda que futuramente. No entanto, quando tudo poderia estar perdido, em certos momentos, encontramos aquela luz no fim do túnel. Quando chegamos nesse nível é o momento que nos sentimos livres, sem amarras, e isso se dá pela transição “do sofrimento da culpa à graça do perdão.” 

Bruce Wayne, desde quando moço, sempre foi um sujeito que carregava culpa dentro de si. Seu mordomo fiel, Alfred, que o criou desde cedo, por mais discreto que fosse, sempre percebeu, naquele garoto, o que a falta de um pai e uma mãe faziam nele e como aquilo afetava sua cabeça, afinal, não só presenciou, como se sentia de alguma forma responsável pelas mortes deles.

Decidido por anos e consumido por essa culpa que pesava em seu íntimo, Bruce aperfeiçoou seus músculos, seus sentidos e seus equipamentos como forma de não permitir que mais alguém passasse por uma situação, como a qual ele passou. Mas, à medida que tempo passava, esse peso dentro de si,  de nunca mais poder ver ou abraçar sua doce mãe, Martha, ou seu adorável e corajoso pai, tomavam camadas de culpa cada vez maiores, aumentando sua magnitude em seu íntimo. Somada a essa agonia diária, mais uma catástrofe acontece e aquele a quem criou como um filho, se perdeu.

Vendo-o estirado ao chão, ensanguentado, morto violentamente, Bruce entende naquele momento que privou seu parceiro de ter uma vida, quem sabe, normal e percebe que se não fosse por ele, aquele rapaz poderia ter uma vida comum, conquistado sonhos e vivido mais tempo. Carregando aquele rapaz em seus braços, como seu pupilo no combate ao crime, viu-se culpado por tê-lo trazido desgraça e perigo para sua vida, que se foi de forma bárbara. Tal culpa, o dominou ao ponto que, a partir dali, toda moralidade e senso de justiça que havia prometido para si, como ‘jamais ultrapassar aquela linha vermelha’, começaram a ruir. Abraçando a desilusão e a decepção, elas nublaram sua visão e com o sentimento da culpa latejando de forma corrosiva, amargou de vez seu coração.

Quebrado e desolado, Bruce ainda continuou como vigilante de Gotham, mas agora diferente, mantendo-se mais impiedoso, diante de seus inimigos. Seu olhar, agora, lhe conduzia uma visão mais abrupta e a qualquer sinal de ameaça, por mais mínima que fosse, ele achava que deveria considerá-la nociva e deveria contê-la, antes que fosse tarde demais. Tinha, consigo, assim como um dever ou juramento, não deixar ninguém pagar com suas vidas, por suas falhas e, se necessário, tomar as medidas mais extremas para evitar algo catastrófico, mais uma vez.

Foi então que, do céu, Bruce viu um potencial perigo: um alienígena que causou muita destruição e mortes. Para ele, aquele ser vindo de outro planeta era um perigo iminente. Determinado a não ‘pagar para ver’ o pior acontecer e não mais cair na armadilha de falhar com as pessoas, deixando-as a mercê de seu fracasso em não conseguir protegê-las dos males do mundo, sua missão resumiu-se a uma só: deter aquele ser, antes que seus receios se concretizassem, ou seja: eliminá-lo.

No entanto, no ato de ceifar a vida daquele alienígena, percebe que ele era mais humano que qualquer pessoa normal. Viu que havia sido criado na Terra, que possuía uma mãe e que clamava pela vida dela, antes de sua própria e, por fim, que seus sentimentos eram notoriamente genuínos. Nesse momento, Bruce desperta de seu transe psicótico e acorda para a realidade. Ele entende que aquele alienígena era, apenas, um cara normal acusado injustamente, tentando fazer a coisa certa.

Recuperando sua razão, se deu conta que estava manchando o legado que construiu, transformando-se em quem ele jurou combater.

Com o sacrifício do Superman contendo uma criatura odiosa, sua morte eleva a culpa dentro de Bruce, por ter sido, mais uma vez, responsável pela perda de alguém inocente. Bruce busca honrar as memórias de Clark, fazendo tudo ao seu alcance para formar uma aliança para defender o povo, de uma possível invasão extraterrestre. Mais do que isso, ele busca, acima de tudo, trazê-lo de volta à vida, agindo pela primeira vez, não pela razão que tanto priorizou, mas pela fé.

Sua razão nunca foi suficiente para suprir algo que lhe faltava ou apaziguar aquilo que o incomodava. Foi apenas ao tomar a decisão de seguir por um caminho misterioso e desconhecido, com a confiança de assinar uma folha em branco e acreditar nela, que ele conseguiu obter sucesso.

Nesse ato, Bruce encontrou a esperança. Ela o trouxe luz, depois de tanto viver na escuridão. Ela o segurou em sua mão, o ergueu e o levantou. Ela limpou as lágrimas de seus olhos e o reconfortou. Ela o fez crer no amanhã e o ensinou que de todo mal, pode-se extrair um bem maior. O Superman o salvou de si mesmo. E mesmo o Homem de Aço sabendo que, há alguns meses, aquele homem vestido de morcego queria matá-lo, ele simplesmente o ajudou a se levantar para que, enfim, pudesse se juntar ao resto da Liga da Justiça. Ele poderia tê-lo cobrado explicações ou até mesmo se vingar, mas Clark apenas sorriu, esticando sua mão para ajudá-lo a se levantar.

Mesmo Superman tendo ganhado uma nova chance de viver, como uma dádiva, quem de fato ganhou essa bênção foi o Batman, de poder renascer, livre das amarras da amargura, do ressentimento, do remorso e, finalmente, livre da culpa. Para Bruce, foi como um novo amanhecer diante de um jardim com flores vívidas, sob os campos mais verdejantes ou como o sol mais revigorante, beijando sua pele com os ventos mais refrescantes, refrigerando sua alma.

Bruce, livre da culpa, não se sentia mais atormentado com as consequências de seus atos, pois agora esta em paz consigo mesmo, tendo se perdoado. Ele entendeu que o perdão destruiu tudo que o puxava para o fundo do poço e que aquele ato de fé, que o fez ascender em esperança. Assim como Clark, Bruce ganhou mais uma chance na vida e, desta vez, ele não iria desperdiçá-la.

Diante de Bruce, mais um alienígena, conhecido como Caçador de Marte, reconhece a bravura, a coragem e a ousadia de Bruce em confrontar e reunir uma aliança contra os invasores da Terra, sem medo algum, inspirando-o a fazer o mesmo. Bruce, por sua vez, reconhece que cumpriu bem o seu dever de proteger as pessoas que amam e que, frente ao seu heroísmo, seja onde estiverem, seus pais se sentiriam orgulhosos.


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Ex-Colaborador Marcelo

Percebi que o bom da vida muito se encontra na arte. Sou apenas alguém que a observa e a deixa se comunicar, permitindo que sua graça se transmita a eu sentir sua excelência. Sendo assim, ela fala sem dizer nada, e na voz do seu silêncio, tornou-se minha amada. Foi assim que descobri gosto por obras primas como O Senhor dos Anéis, Star Wars e DC. E nesse mundo da imaginação, sou aquele fortemente ligado a fantasia e ficção.

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