Crítica sobre “A Lenda dos Guardiões”

Crítica sobre “A Lenda dos Guardiões”

E quem foi que disse que Zack Snyder não é pra crianças? O visionário inovou, quando assumiu a direção de A Lenda dos Guardiões, uma adaptação da série de livros do mesmo nome, escrita por Kathryn Lasky.

FICHA TÉCNICA
Título: Legend Of The Guardians – The Owls of Ga’Hoole (A Lenda dos Guardiões)
Ano: 2010
Direção Geral: Zack Snyder
Roteiro: Alexs Stadermann
Elenco: Jim Sturgess | Emily Barclay | Abbie Cornish
Gênero: Animação | Fantasia | Aventura | Guerra | Infantil
Lançamento: 24 de setembro de 2010 (EUA)
Duração: 99 minutos
Classificação Indicativa: Livre
Sinopse: Soren é uma jovem coruja fascinada pelas histórias épicas contadas pelo seu pai sobre os Guardiões de Ga’Hoole, um bando mítico de guerreiros alados que lutaram em uma grande batalha para salvar todas as corujas de uma grande ameaça. Enquanto Soren sonha em algum dia unir-se a seus heróis, seu irmão mais velho, Kludd, zomba da ideia, e prefere caçar, voar e desviar a predileção de seu pai pelo irmão mais novo. Mas a inveja de Kludd tem consequências terríveis – fazendo com que seus irmãos mais novos caiam de seu ninho no topo da árvore direto para as garras dos Puros. Agora é preciso que Soren realize uma fuga audaciosa com a ajuda de outras jovens corujas. Juntas elas vão voar sobre os oceanos e as brumas para encontrar a Grande Árvore, lar dos lendários Guardiões de Ga’Hoole – a única esperança de Soren para derrotar Os Puros e salvar o reino das corujas.

Em 2010, Zack Snyder assumia o projeto ‘fora da caixa’ em contraparte a seus projetos anteriores, sendo estes Madrugada dos Mortos, 300 e Watchmen, que abordavam temas complexos sobre uma perspectiva adulta.

A inspiração de Zack Snyder

A história de A Lenda dos Guardiões é vivenciada pelo jovem Soren, que começa a jornada como um jovem sonhador. Impressionado pelas histórias dos antigos heróis, e após enfrentar todos os desafios e superar todos os obstáculos, tal qual como seu próprio irmão, em determinado momento da trama, se transforma num poderoso guerreiro, maduro e seguro de si. Eventualmente, a aventura o chama, fazendo alusão à Jornada cíclica do Herói, expressa, por exemplo, em muitas obras de Joseph Campbell, ao qual Snyder é muito fã e já admitiu servir de inspiração para esta obra e muitas outras:

“É como um tipo bem clássico de arquétipo – o escudeiro que se torna um cavaleiro. Sou um grande fã de mitos. Há uma razão para termos sentado em volta de fogueiras por centenas de anos e contado uns aos outros a mesma história, porque ela é real, ela nos toca. Desde o começo, achei que não deveríamos tentar fazer todas aquelas histórias paralelas ou aquelas reviravoltas malucas na trama. Talvez um pouco, mas…” – Zack Snyder

Uma estória de descobertas

A narrativa expressa-se pela visão de Soren e sua maneira de encarar a realidade, com um olhar sonhador e entusiasmado. O que, de início, gera uma certa preocupação de seus pais e desprezo do seu irmão, Kludd. Tal foco de narrativa, em uma rápida primeira olhada, pode parecer uma crítica à visão esperançosa e carregada de fé do protagonista, uma vez que conforme ele encara a ‘realidade’ fora do ninho, percebe que não é como nas histórias que ouvia de seu pai. Fato que foi confirmado pelo seu herói e mentor, Ezylryb, uma vez conhecido como Lyze de Kiel. Esse choque de realidade, em certo ponto, faz ele pensar que, talvez, seria melhor confiar em seu intelecto do que em sua intuição, ou como as corujas dizem na trama, confiar na sua moela. À medida que o protagonista evolui e, eventualmente, se encontra na posição de líder, o mesmo percebe que sua força sempre foi aquilo que parecia uma fraqueza na visão dos outros: ser um sonhador cheio de esperança e fé.

Conclusão

Zack traz, também, à trama, sua identidade visual e deixa sua direção bem visível. Câmeras lentas, detalhes minuciosos, um olho clínico para cenas extremamente épicas e belas, coreografias de batalha invejáveis e vilões de personalidades marcantes e aparências únicas. Todos esses detalhes se desenrolam em um terceiro ato de deixar muito filme de aventura para adultos no chinelo, dando uma nova dimensão de experiência, tanto para o público infantil, quanto para o adulto. Deixa, ainda e até mesmo, a ponte para uma possível sequência, reiniciando o ciclo da Jornada do Herói.

Não é uma típica animação, mas uma narrativa de um ponto de vista heroico, ao qual prende a atenção com seus visuais marcantes. A mensagem da trama, por si só, vale a pena. “Não importa quem você é, sua linhagem ou sua capacidade, sempre nos tornamos aquilo que sonhamos. Basta confiarmos em nossas intuições”, ou melhor, em nossas moelas. 

Recomendadíssimo, A Lenda dos Guardiões, é uma animação que vale a pena assistir. E se concorda ou discorda de mim, que tal deixar a sua opinião nos comentários abaixo? Que tal ler outras críticas do Portal? Acesse aqui.

NOTA: 9

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Jonathan Halfen

Vida longa ao Multiverso.

2 thoughts on “Crítica sobre “A Lenda dos Guardiões”

  1. Como professora de educação infantil que até já cansou de assistir esse filme, porque as crianças pedem o tempo todo, desde que foi lançado, e correndo o risco de começar a decorar todas as falas, só posso concordar com a sua crítica.
    Acho bacana o Zack ser fascinado pela Jornada Cíclica do Herói de Joseph Campbell, porque coloca a alma desta obra em quase todas as suas produções (direções, roteiros)…
    Simplesmente, perfeito, Jonathan! Meus parabéns!!!

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