A Representatividade Feminina nos cortes de Liga da Justiça

A Representatividade Feminina nos cortes de Liga da Justiça

Já falamos, aqui, das várias discrepâncias existentes entre a versão lançada nos cinemas em 2017 e o corte do diretor Zack Snyder. Mas, neste texto, resolvi trazer uma análise entre as diferentes nuances do universo feminino, apresentadas nos dois filmes. Quero mostrar o que cada versão passa para o público, sobre a Representatividade Feminina das nossas amadas personagens, em Liga da Justiça.

Antes, um adendo: O Diretor Joss Whedon foi conhecido como “um homem feminista”, pelo seu filme “Buffy, a Caça-Vampiros”, que ainda é reverenciado, por conta de seu inovador legado de poder feminino. Por muitos anos, surfou no rótulo, até sua máscara começar a cair, em 2017, após as denúncias de sua própria ex-esposa.
Joss whedon feminista
Trad.: “É assim que uma feminista se parece”.
“Ele usou sua relação comigo como um escudo para que ninguém questionasse seus relacionamentos com outras mulheres ou criticassem seus trabalhos por serem feministas. […] Ele nunca entendeu a hipocrisia de estar pregando ideais feministas enquanto estava tirando o meu direito de fazer escolhas sobre a minha vida e sobre o meu corpo, ao me esconder a verdade. […] Ele me fez duvidar dos meus próprios instintos e me afastou das minhas crenças pessoais e da minha vida pessoal. […] Ele não é quem aparenta ser. Quero que as pessoas que o idolatram saibam que ele é humano e que as pessoas que dão prêmios a ele por seu trabalho feminista, pensem duas vezes antes de homenagear alguém que não pratica o que prega. Eu estou livre.” – Kai Cole, Arquiteta e Produtora de Cinema.
É claro que não estou aqui para julgar a vida pessoal dele, tampouco para criar discórdias desnecessárias e fomentar uma discussão ideológica. ~ Longe disso! ~ Mas, convenhamos que uma pessoa que veste, literalmente, uma camiseta para uma campanha feminista, contradiz a que fez tamanhas modificações, envolvendo a Representatividade Feminina (original) em Liga da Justiça…

Mas, vamos por partes!

AS AMAZONAS

No filme de 2017, as Amazonas não dão trabalho algum para o lobo da Estepe. Parecem lutar uma batalha inútil, com um fim inevitável. Não passam nenhuma representatividade feminina forte, não dando a nós, mulheres, um exemplo ao qual nos espelharmos. A fala do lobo da Estepe no final: “Vocês vão me amar!” pega MUITO mal e deve ter dado gatilho em muitas mulheres que já passaram por relacionamentos abusivos e vivenciaram essa vibe confusa de um “amor” cheio de sofrimento. ~ Foi um mal gosto desmedido!

Já o corte de Zack Snyder, as Amazonas estão muito mais preparadas para um evento dessa magnitude Possuem plano de combate e, até mesmo, um de demolição de todo o templo. Completamente destemidas, gritam a plenos pulmões: “Nós não temos medo!“. ~ E realmente não demonstram nenhum!

Ao contrário do outro, nossa rainha Hipólita não corre do templo como se quisesse só se salvar. Ela reluta em selá-lo e ainda presta homenagem às Amazonas que foram perdidas ali. Isso tudo, com o Zack focando em câmera lenta nos abdomens sarados das Amazonas, mostrando o quão elas são fortes. ~ Numa mensagem subliminar, diz: As mulheres são fortes e lutam pelo que querem.

MULHER-MARAVILHA

A Mulher-Maravilha foi uma das que mais sofreu alterações na edição de 2017, tendo vários closes impróprios em suas partes íntimas e desconfortáveis de assistir, sempre que possível. Além disso, ainda ganhou uma cena em que o Flash cai sobre seus seios. Cena essa, que, inclusive, a Gal nem quis gravar e o Whedon obrigou uma dublê filmá-la em seu lugar. ~ Por isso seu rosto está virado para o lado. ~ Para piorar, ainda editaram sua voz na luta contra o Superman recém-ressuscitado para parecerem gemidos sensuais e não de luta. ~ Que representatividade feminina é essa?

No final de sua primeira cena no filme, a do confronto no banco, de “uma deusa guerreira que o cara tem que acreditar que existe”, ela foi resumida a “uma pessoa que acredita”. Reduzindo, assim, o que a Mulher-Maravilha realmente é e toda a sua imponência como heroína. No enredo do filme, ainda, ao invés de termos uma Mulher-Maravilha cheia de esperança, que apoia e deseja que o Superman seja trazido de volta, temos uma heroína completamente contra, reforçando o estereótipo de que “a mulher sempre arruma problema com tudo”. ~ Tenha santa paciência!
Quanto à versão do Zack, já pela trilha maravilhosa do Junkie, ~ que pra mim passa uma energia muito poderosa ~ deu pra sentir a ligação que ela tem com toda a ancestralidade Amazona e sua divindade. Nessa versão, ela é muito segura de si e mostra um pouco daquela Mulher-Maravilha que vemos em Batman Vs. Superman. Sabe se portar em todas as situações e sente o ambiente ao seu redor. Transita de “uma guerreira combatendo bandidos” para “uma heroína amável com as crianças”, em dois segundos. Ela é o que precisa ser e o faz isso com muita classe. ~ Isso é Representatividade Feminina.

LOIS E MARTHA

Se por um lado a Mulher-Maravilha sofreu mudanças em seu enredo, Lois Lane teve o seu completamente modificado. Foi de “alguém que vive o luto de perder o amor da sua vida, em um momento extremamente delicado” para a “mulher, que está grávida e é uma Workaholic que já voltou ao trabalho e parece lidar bem com a perda de Clark”, na versão de Whedon.
Ainda nessa edição, tem outra cena que causa desconforto ao assistir: sua interação com a Martha. ~ E tenho certeza de que me darão razão, neste ponto. ~ Em uma conversa sobre Clark, Martha fala sobre ele ter mencionado que Lois foi a mulher mais “sedenta” que ele já namorou, dando um duplo sentido bem óbvio e desnecessário numa conversa sobre luto. ~ Eu ainda estou procurando a Representatividade Feminina nesta fala e nesta situação.
Já na versão de Snyder, durante a interação delas, ~ por mais que depois descubramos que não era bem a Martha, ali ~ vemos as duas tendo uma conversa bem mais profunda sobre “enfrentar a dor” e “voltar para o mundo dos vivos”. Cena esta que passa uma cumplicidade e companheirismo maior e um sentimento de família, de afetividade.

OUTRAS CENAS

Uma cena que eu também gostaria de abordar, é a de uma reportagem com uma mulher desbocada, que Whedon adicionou ao filme. Nesta, a mulher conta que o marido foi “levado pelos alienígenas”, numa tentativa bem baixa e falha de alívio cômico, em que até mesmo o jornalista que dá a notícia passa uma vibe de “olha essa mulher louca, aqui”. De novo, batendo na tecla de que mulheres são seres histéricos, loucos e problemáticos. ~ Passando bem longe do conceito de Representatividade Feminina, não acham?
                 
Em contrapartida, tem uma cena no SnyderCut, que eu, particularmente, gosto muito. Esta se passa no arco do Ciborgue. ~ Que não vemos no do Whedon, já que ele cortou tudo sobre o Victor.
A cena em questão é quando Elionore Stone, mãe do Victor, foi convidada para a sala do diretor. Este, a chama de Sra. Stone e ela logo o corrige, dizendo ser a “Dra. Stone”. ~ É uma cena tão singela, tão simples, mas que me arrepia toda vez que assisto.~ Afinal, tem tanto poder numa mulher que, quando subjugada como apenas a esposa de alguém, se mostra muito mais que isso! Há uma persona além do rótulo. ~ Que, inclusive, tem um doutorado, respeita!

Para fechar o texto, saindo um pouco de Liga da Justiça, vale ressaltar a cena de Lois, em Batman Vs. Superman. Nesta, um senhor da guerra solta a frase provocativa, diretamente à ela: “Eles não me disseram que a entrevista seria com uma dama”. Na sequência, ela responde, com classe: “Não sou uma dama, sou uma jornalista”.
Esta cena foi feita em homenagem à jornalista de guerra, Marie Colvin, na qual Zack e Chris Terrio, roteirista do filme, se inspiraram para escrever o papel de Lois. ~ Pensou o mesmo que eu? Representatividade Feminina, pois é. ~ Reforça, no entanto, que as acusações de misoginia e machismo que recaem sobre o diretor, não são nada além de infundadas e precipitadas.

CONCLUSÃO

É claro que tem muito mais cenas para comparar entre a versão de Whedon e Zack Snyder, bem como para reforçar a linha da direção de Zack e a responsabilidade social com as mulheres, sempre presente em suas produções e direções. Mas vou deixar para outras oportunidades!  Inclusive, recomendo outro texto nosso que também fala da visão do Zack sobre as mulheres da DC: A importância das mulheres no SnyderVerse.
Por enquanto, já dá pra ver que a Liga da Justiça foi modificada completamente para caber na visão machista e misógina de Whedon. Bem como é possível perceber que a versão original foi feita sob uma visão totalmente contrária, que enaltece, de forma brilhante e ainda justa, as personagens que tanto amamos e nos espelhamos! Mesmo o Whedon se intitulando um homem feminista, é Zack Snyder quem mais consegue colocar a Representatividade Feminina em seus filmes.
Mas, e ai, fã de Zack Snyder, curtiu o texto? Tem mais alguma cena das nossas personagens que você ache muito diferente de um corte para o outro? Conte-nos nos comentários abaixo.

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Ingrid Barboza

Sou Ingrid Barboza, tenho 23 anos e sou apaixonada pelos filmes de Zack Snyder e, principalmente, na sua visão guerreira da Mulher Maravilha! #RestoreTheSnyderVerse

5 thoughts on “A Representatividade Feminina nos cortes de Liga da Justiça

  1. Eu concordo com o que vc falou sobre as mulheres no Liga da Justiça de Zack Snyder, mas, eu tenho uma observação à fazer nos seus argumentos: As atrizes Diane Lane, Amy Adams, a atriz que faz a mãe do Cyborg, a atriz que faz a Hipólita, as atrizes que fazem as Amazonas, a atriz que faz a Iris West, enfim, ñ ajudaram o Ray Fisher a denunciar os abusos e intromissões da Warner. Ele ficou sozinho nessa situação e, com isso, ficou queimado dentro do Estúdio. Até mesmo a Gal Gadot, que poderia ter confirmado as denúncias e endossado, só fez isso em abril ou maio de 2021 enquanto o Ray Fisher está denunciando o estúdio desde a metade de 2020. E ñ é só isso: No filme Esquadrão Suicida lançado em 2016, só o Jared Leto defende de forma mais convicta a versão original do David Ayer, nem a Margot Robbie, que teve maior visibilidade a partir daquele filme, também não ajuda na defesa pelo lançamento do corte original do diretor. Ou seja, tanto em Liga da justiça de Zack Snyder como no Esquadrão Suicida, o Ray Fisher e o Jaret Leto e David Ayer ñ tiveram ajuda total pra defender o que é justo em seus respectivos filmes. Mas, mesmo assim, concordo com o que vc falou, porém, com essas observações.

    1. Ok, mas o texto fala sobre a representatividade em tela. Não podemos julgar pq as atrizes não se manifestaram a favor do Ray Fisher, não sabemos que estes estavam na mesma situação ou enfrentaram a mesma coisa que o Ray passou. Sem contar que o próprio ator possui mto carinho por todas atrizes colegas dele, se fosse algo de omissão tenho certeza que ele não manteria esse carinho com o elenco.

      E ressaltando, o texto fala sobre a representatividade nas telas que Zack e deborah trabalham, novamente seu argumento traz especulações de bastidores. Sobre Margot Robbie não se manifestar, a atriz mal divulgou “O Esquadrão Suicida” (2021), sendo a única do elenco a não postar seu pôster solo em rede social, por justamente ela ser uma pessoa muito neutra, e mesmo assim no tapete vermelho ela manifestou interesse no Ayer Cut.

      Só apontei as situações levantadas em seu comentário, pq não acho válido especular, como se as mulheres fossem omissas nas situações citadas e tivesse menos valorização nos bastidores, do que em tela.

      1. Ok, eu posso até concordar com os seus argumentos, mas, a questão é o seguinte: Quando o Ray Fisher estava denunciando a Warner, o público geral quase ñ estava acreditando nele, achando que ele só queria mídia, mas, foi só a atriz que fez a série Buffie: A Caça Vampiros denunciar o que o Joss Whedon fez com todo o elenco feminino da série na década de 90 é que o público foi acreditar nas denúncias que o Ray Fisher fez. Talvez, se todo o elenco do Snyder cut, incluindo até o feminino tivesse em massa apoiado o Ray Fisher, a credibilidade do ator ñ teria sido duvidada. Ñ sou intolerante contra o Zack Snyder ou o Snyderverso, também sou fã e sempre assisto todos os filmes do Snyderverso. Também reconheço e concordo com a representatividade feminina no Snyderverso, mas, também acho que faltou um mais de união ali dentro. É só isso que eu acho. E, quanto a Margot Robbie, ela ñ apoia de forma mais convicta o Ayer Cut pq ela quer continuar fazendo a Arlequina e, assim, ñ perder a personagem. Essa é a minha opinião.

        1. Mas é justamente isso que aponto, deveria cobrar posicionamento do elenco todo, e não apontar apenas as mulheres. E sim, é sua visão, tudo falando em torno da postura dos atores é nosso achismo, não sabemos o que de fato são os motivos para o silencio de determinado assunto, por mais que isso incomode os fãs.

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