EDITORIAL | O limite do desespero para a criação de narrativas

EDITORIAL | O limite do desespero para a criação de narrativas

Narrativa nada mais é um conjunto de opiniões contadas várias vezes, que acabam virando “verdade” entre um grupo de pessoas que não costumam saber lidar com fatos e compram uma ideia, porque acreditar nela é mais fácil. O que falar sobre a mais nova narrativa da vez? É sobre isso o nosso editorial de hoje.

Recapitulando

É notório vermos como sites e youtubers lançam notícias sobre o diretor Zack Snyder e seus fãs, num modo sempre dúbio, beirando ao pejorativo. Até pode parecer um discurso manjado, de quando gostamos muito de algo e achamos que todos estão pegando no pé. Mas, a história comprova o quanto isso é verdade. Zack Snyder foi massacrado pela mídia, desde o lançamento de Batman vs. Superman: A Origem da Justiça. De certo modo, inclusive, com “aprovação” do estúdio, que preferiu se silenciar a proteger o diretor que estava a frente de um de seus principais IPs originais.

Basicamente, os executivos da Warner jogaram Zack Snyder na boca dos leões, enquanto acariciavam suas cabeças, tentando mostrar que possuíam a mesma opinião sobre o cineasta. Os “entendidos de cinema” criaram uma narrativa bola de neve, que dizia: Zack não entende de heróis. Diversas petições online para a remoção de Snyder do filme Liga da Justiça, resultaram numa grande vaia do público, ao Zack, em plena San Diego Comic Con. Com a enorme pressão do estúdio e vivendo num período de luto, Snyder se afastou do projeto, deixando o caminho livre para os executivos, finalmente, colocarem em prática o que queriam e ganhar a adulação dos principais veículos de informação sobre cultura pop.

A intervenção do Estúdio

O filme Liga da Justiça ganhava um novo diretor, Joss Whedon, que havia dirigido Vingadores 1 e 2. Essa notícia foi motivo de comemoração. Porém, os fãs que haviam entendido a proposta de Zack para os heróis da DC, sabiam que haveria uma dicotomia de linguagem entre as visões dos cineastas. O resultado foi o desastroso filme da principal equipe de heróis da DC Comics, sendo apresentado daquela forma nos cinemas, que ainda assim levou a assinatura de Zack Snyder como diretor. Aqui, vale lembrar a fala de Joss Whedon, (como ele mesmo inseriu no começo do filme): a de que ele “tentou salvar o longa”, mas nada poderia ser feito diante o “desastre” que Zack Snyder havia criado dentro da DC.

A narrativa, agora, é que o Universo do Snyder era um fracasso e não tinha salvação.

O movimento orgânico dos fãs e o aclamado Fenômeno Global

O bom de lidarmos com fatos, é que o tempo comprova muitas coisas. ~ E destrói narrativa por narrativa, ainda mais as meramente especulativas. ~ Os fãs não satisfeitos e sabendo que aquilo apresentado estava longe de ser a visão de Zack Snyder, batalharam por três anos até receber o corte do diretor para Liga da Justiça, lançado em março de 2021. Um filme de quatro horas, aclamado pela crítica especializada, abraçado pelos fãs e que arrancou elogios até mesmo dos mais céticos, estava muito, muito distante do fiasco cinematográfico, capitaneado por Joss Whedon. Todas citações sobre o trabalho de Whedon, em Liga de 2017, poderiam ser relevadas, se não fossem as diversas acusações de má conduta que o diretor apresentou no set de gravação, após assumir a cadeira de Snyder. Acusações que começam da equipe de dublês à Ray Fisher, Gal Gadot e Jeremy Irons.

Muitos apontaram que 2021 foi o ano da virada de Zack Snyder, após mostrar em tela o quanto foi injustiçado desde Batman vs. Superman, fazendo com que muitos mudassem sua opinião sobre o filme após assistirem Liga da Justiça. Snyder teve a tão sonhada liberdade criativa, ao lançar seu filme de assalto zumbi, pela Netflix. Então, o longa se tornou um dos filmes originais do streaming mais vistos na plataforma, ganhando seu próprio universo. O mesmo projeto havia sido apresentado para Warner, mas o estúdio não teve interesse em desenvolver e engavetou a produção. Na sequência, Zack Snyder assinou um contrato com a gigante do streaming, e anunciou um projeto audacioso, Rebel Moon, um filme épico de ficção científica, que o roteiro, inicialmente, foi feito para ser um spinoff de Star Wars.

O fim de uma narrativa e o começo de outra

O ano de 2021 foi o da virada de Zack Snyder, além de todos novos projetos, sua Liga da Justiça sempre se manteve em alta. Assim, desde seu lançamento, bateu recordes mundiais nas plataforma de aluguéis e obteve vendas massivas de sua mídia física. Seria ingenuidade achar que os sites e youtubers de cultura pop haviam feito as pazes com o diretor. Não podendo mais criticar suas obras, sem ter o argumento rebatido, o alvo foram seus fãs. ~ (Ver: Os verdadeiros números do SnyderVerse)

É difícil aceitar que Snyder Cut foi o filme mais falado no Twitter, em 2021, e que a tag #RestoreTheSnyderVerse, que pede para restauração da visão de Snyder para seu universo de heróis da DC, tenha atingido 1.5 milhões de tweets, um recorde na rede. Automaticamente, esses feitos são invalidados com nova narrativa de acusações de impulsionamento automatizados (os conhecidos bots), que as pessoas acreditam e levam como verdade.

Ser ou não ser? Eis a questão.

Mas a dúvida que fica no ar (para quem acredita nisso):

Como esses “bots” conseguem sair do meio virtual e bater recordes, quando se trata vendas de qualquer tipo de material sobre a Liga da Justiça? Os fatos comprovam, que todo material em torno do Snyder Cut, é esgotado muito rápido ou possui vasta procura. Se de fato, todo esse engajamento nas redes sociais fosse automatizado, seria rotineiro vermos esses materiais estocados e criando teias de aranha nas prateleiras de vendas, correto? Não é o que ocorre!

As vitórias no Oscar

Bom, o tiro de misericórdia chegou em março, no Oscar, quando a Academia promoveu duas categorias de voto popular que elegeria, na visão dos fãs, o Momento Mais Emocionante (#OscarsCheerMoment) e Filme Favorito (#OscarsFanFavorite). Respectivamente, a cena do Flash voltando no tempo, em Liga da Justiça de Zack Snyder e a produção original da Netflix, Army of the Dead: Invasão em Las Vegas, foram as vencedoras nas categorias. Algumas pessoas contestaram, não acharam justo, mas poderiam ter votado e se organizado como outros fãs fizeram. Exemplo disso, foi o fandom da cantora e atriz Camila Cabello, que esteve à frente na votação por diversas vezes.

A mais nova narrativa

Porém, no último dia 12, um relatório lançado pelo site The Wrap, e assinado pelo colunista Umberto González, especula que a votação na categoria popular do Oscar “parece” ter sido manipulada por contas automatizadas no Twitter. Atente-se para a especulação.

Tweet Binder, uma ferramenta de análise de hashtag, mostra que ‘os contribuidores mais ativos’ para as pesquisas de #OscarsFanFavorite e #OscarsCheerMoment parece ter sido de contas automatizadas de bots ‘que lançaram milhares de votos falsos’, segundo o The Wrap, na quinta-feira. O professor da Universidade de Maryland David Kirsch, que pesquisou fanbots, deduziu da mesma forma que as contas questionáveis ​​’certamente não parecem ter sido geradas por um usuário humano’. Mas o veículo observou que a equipe de Kirsch não poderia ‘declará-los definitivamente como bots’.

O The Wrap também apontou ‘algumas anomalias estranhas’ nas pesquisas, incluindo picos significativos de um dia na votação, como um salto de 27 de fevereiro para 25.000 votos após semanas de totais diários entre 4.000 e 15.000. Mas uma fonte da Academia (Oscar) defendeu os méritos das categorias, sustentando que apenas 20 votos poderiam ser dados por usuário no Twitter e que contas com menos de um dia foram proibidas de votar. A Telescope, empresa de tabulação contratada para supervisionar a votação, não respondeu aos pedidos de comentários do veículo. Um representante de Snyder se recusou a comentar a história.

Uma mentira contada muitas vezes, torna-se verdade

O trecho citado foi extraído da matéria da revista online Vanity Fair. Todavia, é preocupante quando vemos sites verificados que dão voz a jornalistas que não conseguem separar a raiva gratuita do profissionalismo. É triste vê-los criarem narrativas especulativas e que ganham, de modo instantâneo, uma falsa veracidade, replicando a “notícia” em outros portais. Hoje, os sites de cultura pop pipocaram com chamadas maliciosas, espalhando essa narrativa, como verdade: “Os fãs de Zack Snyder manipularam a votação do Oscar”. O “parece ter sido manipulado”, virou fato, e ninguém cita o que uma fonte de dentro da Academia do Oscar ressaltou, sobre apenas os 20 votos diários, por usuário, terem sido aceitos, além do fato de que contas com menos de um dia de criação não tiveram seus votos computados.

O profissionalismo em cheque

É interessante citar o jornalista, Umberto González, que propagou a nova “falsa verdade” na rede, como um profissional que claramente possui problemas com o fandom do diretor e, possivelmente, até mesmo com o próprio. Este afirmação feita, aqui, não é uma especulação. Não é uma narrativa. É um fato, desde 2017. Quando o profissional comemorou a saída de Zack Snyder da produção de Liga da Justiça, alegou que Joss Whedon e Geoff Johns estavam salvando o filme do Snyderverse. E, também, debochou do início do movimento que pedia o corte do diretor para o filme.

narrativa da vez SnyderCutBR
Prints do repórter Umberto Gonzalez comemorando a saída de Zack Snyder da DC e debochando dos fãs que pediam #ReleaseTheSnyderCut

Conclusão

É claro que muitos acharão que um site que se intitula SnyderCutBR é um site de fanboy, que defende ferozmente tudo o que os fãs e o diretor Zack Snyder faz. Entretanto, engana-se quem pensa deste modo. Aliás, para pensar assim, só mesmo aqueles que não acompanham em nada nossos posicionamentos e refletem tudo que pensam de negativo como verdade, sem se dar o trabalho de nos conhecer.

Como resultado, a grande lição é mostrar o quanto é perigoso uma mídia verificada (com o famoso selinho azul) estar nas mãos de pessoas despreparadas para lidar com suas ações. Ou, mesmo, desesperadas para criar narrativas. Porque, afinal, atos como esses podem manchar a vida de alguém. ~ Não neste caso, pois se trata de uma votação de fãs. ~ Mas, levando em conta que estamos em ano de eleições (no Brasil), não faça aquilo que critica, indiferente da área que seja.

Infelizmente, e concluindo, sabemos que nosso texto não ganhará grandes proporções, pois não temos o famigerado selo azul ao lado do nosso nome. Ainda assim, a disseminação da falsa verdade já foi feita e endossa o discurso daqueles que odeiam o movimento em torno de Zack Snyder. ~ Mesmo que seus motivos não sejam o suficiente para tanto. ~ Contudo, temos o principal: a índole e responsabilidade em trazer sempre a verdade aos fãs de Zack Snyder, sem especulações. Não é a primeira vez que fazemos isso e não será a última.


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Andre Guilherme

É Andre, sem acento mesmo. Um viajante do Multiverso com Q.I elevado para Legos.

2 thoughts on “EDITORIAL | O limite do desespero para a criação de narrativas

  1. Eu sou suspeita pra dizer o quanto eu amei esse texto, porque na verdade é um tapa na cara dos haters que, novamente, tiveram mais uma narrativa para se agarrar. No fundo, é o que os alimentam. Porque saber lidar com a verdade dói mais do que esfregar a cara no assalto, toda vez que os fatos provam o contrário do que eles afirmam. Pelo menos, é o que parece. Ótimo texto!!! Como sempre…

  2. Meu….. Batam na porta do Kevin Fiege e deem logo esses troféus pro cara, pra toda mídia e Maníacos Marvetes pararem de encher o saco kkkkkkk

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