O que significa o lançamento digital de Liga da Justiça de Zack Snyder?

O que significa o lançamento digital de Liga da Justiça de Zack Snyder?

A Liga da Justiça de Zack Snyder chegou à HBO Max no ano passado, marcando o fim de uma longa e confusa jornada para vermos a visão do diretor. Não há necessidade de contar toda história detalhada. Mas, apenas para simplificar, a versão de 2017 que chegou nos cinemas, não representou em nada o que Snyder tinha em mente. As caras refilmagens que o diretor (Joss Whedon) substituto fez, alteraram bastante a adaptação da DC Comics.

Mas agora, o mundo tem a versão de Snyder, em suas gloriosas quatro horas, disponíveis em um grande serviço de streaming, além de cópias físicas lançadas em 4K Ultra HD (internacional) e Blu-ray (nacional).

A Warner Bros. investiu US$ 70 milhões para finalizar o Snyder Cut, e tê-lo como um filme exclusivo como chamarisco em seu serviço de streaming. Esse não é um preço pequeno, especialmente quando o filme original já perdeu muito dinheiro. No entanto, parece que o estúdio não está mais interessado na exclusividade de tudo isso, já que a Liga da Justiça de Zack Snyder estará disponível, pela primeira vez, na versão digital à partir de 19 de julho de 2022.

E por que isso está acontecendo um ano após a estreia do filme na HBO Max e meses após o lançamento em mídia física? A resposta é bastante simples e um pouco complicada, ao mesmo tempo. Em última análise, tudo se resume a dinheiro, mas também diz muito sobre a nova direção do estúdio e o futuro do streaming em geral.

Warner Bros. Discovery está maximizando a receita

O maior fator aqui é a recente fusão entre WarnerMedia e Discovery, criando a Warner Bros. Discovery. David Zaslav é agora o CEO e tem procurado maneiras de tornar o conglomerado de mídia mais lucrativo.

Dado que ele cancelou o filme da DC, Super Gêmeos, porque era muito caro para ser feito estritamente para o HBO Max, parece que ele pode não ter sido fã de gastar US$ 70 milhões para terminar um filme que já havia perdido muito dinheiro. Zaslav é muito voltado para os negócios em um sentido puro, ou pelo menos essa é a imagem que tem sido pintada dele ultimamente. Afinal, cinema é um negócio.

Sendo esse o caso, não é surpresa que ele procure capitalizar o investimento que foi a Liga da Justiça de Zack Snyder. Após um ano do seu lançamento na HBO Max, provavelmente não está recebendo novos assinantes do filme. Portanto, disponibilizá-lo no digital pode gerar novas receitas, especialmente porque a Warner Bros. também está oferecendo um pacote dos demais filmes do diretor: O Homem de Aço e Batman vs Superman: A Origem da Justiça (Edição Definitiva). Isso é usar investimentos que já foram feitos para gerar receita.

Vale ressaltar que Liga da Justiça de Zack Snyder liderou as paradas de vendas de Blu-ray quando chegou em setembro do ano passado, vendendo muito mais do que qualquer outro filme disponível na época. Isso ajudou a recuperar parte do investimento e provou que os espectadores não estão apenas interessados ​​no filme, como estão dispostos a gastar dinheiro com ele além de uma assinatura da HBO Max. Os varejistas digitais podem abri-lo para um público totalmente novo.

Oferecendo aos espectadores muitas opções

Este lançamento digital é um sinal de uma estratégia maior que está sendo implementada pela Warner Bros. Discovery. Sim, o HBO Max ainda será o serviço de streaming exclusivo para grandes filmes como The Batman, depois que saírem dos cinemas, mas isso não significa que os espectadores só possam assisti-los com uma assinatura de streaming.

Por exemplo, além de um lançamento em modelo físico, The Batman também estava disponível para aluguel/compra em varejistas digitais como Amazon, Vudu e Google Play. Exclusividade, ao que parece, não importa tanto. Enquanto isso, dar opções aos espectadores parece ter um efeito positivo no resultado final do negócio em geral.

O streaming dominou Hollywood nos últimos anos, muito se devem à Netflix que fez todos acreditarem que exclusividade era a chave. Talvez não seja mais.

O modelo Netflix não é mais o único

Em última análise, o sucesso da Netflix é o que forçou o resto da indústria a migrar para o streaming. O modelo da Netflix era um pouco simples: fazer conteúdo exclusivo que só pode ser transmitido na Netflix, atraindo assim assinantes, o que significa mais dinheiro. Simples o suficiente. Mas à medida que mais serviços de streaming surgiram (Prime Video, HBO Max, Hulu, Disney +, Paramount + e muitos outros), os consumidores têm, sem dúvida, muitas opções. Em muitos casos, a exclusividade pode ser uma barreira para assinatura, nos dias de hoje.

Neste momento, muitos espectadores provavelmente não vão querer adicionar outro serviço de assinatura à sua programação se houver apenas uma coisa que eles queiram assistir, como Liga da Justiça de Zack Snyder. Então, em vez de forçá-los a uma assinatura, por que não oferecer a eles uma escolha? Não quer se inscrever? Legal! Aceitaremos com prazer sua compra digital de valor X.

A Paramount+ também fez isso com sucessos como Pânico, Jackass Para Sempre e Cidade Perdida. Todos tiveram um bom desempenho nas bilheterias. Todos eles são transmitidos exclusivamente na Paramount+. Mas todos também estavam disponíveis em digital/VOD, o que resultou em mais receita. Isso está se tornando cada vez mais o modelo.

O modelo Netflix de exclusividade não é mais o único. Empresas como a Warner Bros. Discovery querem maximizar a receita e, em uma era repleta de tanto conteúdo, facilitar as coisas para os espectadores em potencial é fundamental. Ter opções é fácil. Em palavras simples, você pode escolher entre ter varejo (mídias físicas ou digitais) e atacado (serviços de streamings).

O lançamento digital de Liga da Justiça de Zack Snyder, depois de todo esse tempo, é emblemático. Mostrando que não é um universo “fracassado”, bem como está sendo utilizado para mudanças maiores na indústria. E de quebra, por que não, um ensaio para uma amostragem de demanda num filme tão acarinhado pelos fãs? Podendo ser uma brecha para a restauração de um universo que o público tanto pede e deseja consumir.

Via: Slashfilm

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Andre Guilherme

É Andre, sem acento mesmo. Um viajante do Multiverso com Q.I elevado para Legos.

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