Crítica sobre “300” (+16): Mensagens de Esperança e Determinação

Crítica sobre “300” (+16): Mensagens de Esperança e Determinação

300 é um filme com uma mensagem de esperança, mas também de enfrentamento dos obstáculos da vida e situações-problemas. Ao mesmo tempo, rompe com a humanidade natural ‘do homem’, de modo a buscar a coragem que existe dentro de nós. Portanto, para entender 300, é preciso esmiuçar e lapidar cada detalhe.

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Antes de começar, é sempre bom lembrar que 300 é baseado em uma Graphic Novel de Frank Miller, de nome “Os 300 de Esparta”, de 1998, publicada pela editora Dark Horse Comics, e no Brasil pela Editora Abril, utilizando o mesmo formato. A série em quadrinhos, no entanto, também foi inspirada no filme americano de 1962, e de mesmo nome. Este ano, em questão, foi marcado pelo momento mais tenso da Guerra Fria, quando os EUA descobriram mísseis soviéticos em Cuba. ~ Isso é importante para entender mais algumas críticas em relação ao Snyder, do que ao filme, mesmo. Porque, aparentemente, se um diretor faz um filme sobre canibalismo, ele se torna automaticamente canibal. Vai entender! ~ Entretanto, vale constar, o contexto histórico da Batalha de Termópilas ocorreu 480 a.C, na Segunda Guerra Médica. Mas, antes de falarmos sobre isso, vamos por partes.

Extremamente fiel ao quadrinho, o filme possui algumas cenas exatamente iguais aos desenhos feitos por Frank Miller na HQ. Inclusive, até mesmo o visual foi bem fiel ao Graphic Novel. ~ Para desespero de quem não gostou de 300, por este motivo. Viu, Gonza?

O que falar sobre 300?

FICHA TÉCNICA
Título: 300
Ano: 2007
Direção: Zack Snyder
Produção: Mark Canton | Bernie Goldmann | Gianni Nunnari | Jeffrey Silver
Roteiro: Zack Snyder | Zack Snyder | Kurt Johnstad | Michael B. Gordon
Elenco: Gerard Butler | Lena Headey |David Wenham | Rodrigo Santoro | Dominic West
Gênero: Ação | Fantasia | Guerra
Lançamento: 30 de março de 2007 (Brasil)
Duração: 117 minutos
Classificação Indicativa: +16 anos

Sinopse: Em 480 A.C., existe uma guerra entre a Pérsia, liderada pelo rei Xerxes, e a Grécia. Na batalha de Termópilas, Leônidas, rei da cidade grega de Sparta, lidera seu guerreiros em desvantagem contra o massivo exército persa. Mesmo sabendo que a morte certa os espera, seus sacrifícios inspiram toda a Grécia a unir-se contra o seu inimigo comum.

O enredo

Sob frames de ossadas humanas no chão, que dão a entender ser de bebês recém-nascidos, o filme começa com a narração do nascimento de Leônidas. Segundo a tradição Espartana, o menino que nascesse pequeno, doente, deformado ou fraco era descartado. ~ O que induz a conclusão acima. ~ Já o que nascia forte, seria treinado para ser um guerreiro e batizado no fogo do combate. Dentre os ensinamentos espartanos, a criança aprendia a nunca recuar, nunca se render. Sendo assim, morrer em serviço, em um campo de batalha, por Sparta, era a maior glória que se poderia alcançar.

Aos 7 anos, estes meninos eram separados de suas mães e enviados a um mundo de violência, onde seriam testadas as suas habilidades de sobrevivência e guerra. Essa era mais uma tradição de 300 anos, construída pela sociedade guerreira de Sparta para criar os mais fortes soldados, o Agogê. Ali, eles lutavam, passavam fome, roubavam e até matavam. Aprendiam a não demonstrar dor, medo ou piedade e eram jogados na natureza para provar sua determinação e astúcia. Dito isso, e explicado o ritual de iniciação dos espartanos, é fácil compreender muita coisa no decorrer do filme.

O medo é uma constante, mas aceitá-lo deixa você mais forte. […] Na verdade, a força de um espartano está no guerreiro próximo a ele. Dê respeito e honra a ele e isto lhe será dado. Primeiro, lute com a sua cabeça e depois com o seu coração.

O contexto de 300

Quando Leônidas, agora Rei de Esparta, recebe o mensageiro persa que carrega um conjunto de crânios de reis e rainhas de outros territórios gregos já dominados e lhe oferece ‘terra e água’, ele não recua. Treinado para não sentir medo ou piedade, Leônidas entende a ameaça e se recusa a mostrar clemência pelo povo persa, liderado pelo Rei Xerxes.

Rei Xerxes em 300 - Portal SnyderCutBR

Terão toda a terra e a água que quiserem. Isso é Esparta!

A exigência de terra e água simbolizava que aqueles que se estregavam aos persas abriam mão de todos os seus direitos sobre suas terras e os produtos delas. Desta forma, dar terra e água simbolizava que reconheciam a autoridade persa sobre tudo, inclusive suas vidas passava a pertencer ao rei dos persas. As negociações, então, realizadas especificavam as obrigações e os benefícios dos vassalos. A frase simboliza a rendição incondicional a um conquistador. Assim, sua importância se devia a serem símbolos do zoroastrismo, religião oficial do Império Aquemênida. De acordo com a história, os persas viajavam por toda a Grécia, exigindo o reconhecimento da soberania persa e dos símbolos zoroastristas da terra e da água, as marcas da vassalagem, o que significa que Esparta não estava disposta a se curvar aos persas.

Na sequência, inicia-se a épica e derradeira batalha entre o grande exército persa e os 300 guerreiros de esparta. Vale lembrar que assim como o Rei Xérxes acreditava que era um deus, os Reis Espartanos acreditavam que eram descendentes diretos de Hércules.

A marca de Zack Snyder

300 é um longa com direção bastante autoral. Zack Snyder não só usou câmera lenta nas cenas de batalha, como também aproveitou-se dos tons de sépia e trilhas sonoras de Tyler Bates, para criar as cenas épicas. Todas as cenas de 300 foram gravadas no fundo chroma key (verde/azul).

Rei e Rainha de Esparta em 300 - SnyderCutBR

Por ser uma história autoral, em cima de um contexto histórico real, Snyder aproveitou para fazer mais uma de suas pinceladas sociais. Para quem está acostumado a nos acompanhar, já sabe que sempre que vimos uma crítica, a gente a aponta. E, agora, não será diferente. Assim como em Sucker Punch e Army of the Dead, Snyder dá a solução para homens abusadores, de maneira sempre violenta. ~ Então, não, não é um filme machista. Embora pudesse ser, visto a época em que a real batalha aconteceu na Grécia.

Por exemplo, quando a Rainha de Esparta é destratada pelo mensageiro persa, Leônidas se vinga, jogando-o num poço, com a célebre frase “This is Sparta!”.

– O que faz essa mulher achar que pode falar entre homens?
– Porque só as espartanas dão à luz a homens de verdade.

De maneira idêntica, quando a Rainha Gorgo, esposa de Leônidas, descobre um esquema de traição, em Esparta, ela se vinga do traidor, de maneira heroica e épica, apunhalando-o com uma espada. Aqui, ainda, soma-se a proposta indecente, como moeda de troca para salvar Leônidas de um julgamento. Deste modo, Snyder não se cansa de usar exemplos como o do ‘Conselheiro Theron’, para mandar o recado: Mulheres merecem respeito!

Algumas críticas válidas e outras marcas

Por conta do longa ser expressivamente narrado, algumas pessoas não se conectam, de imediato, à história de 300. ~ Aqui, é muito uma questão de gosto pessoal, mesmo. ~ No entanto, o estilo escolhido conversa bem com a proposta do filme. Ao assistir, você percebe que o longa exige uma sequência. Esta também é uma marca do Zack Snyder. Ele nunca entrega tudo em um único filme, a não ser que a proposta dele seja te deixar reflexivo. Aliás, a menos que tenha se baseado em algo pronto, que não precisa necessariamente, de uma continuação, ele geralmente pensa em mais filmes, para contar toda a sua história.

Pense bem, 300 era para ser uma trilogia. O Snyderverse, um arco de 5 filmes. O Armyverse, um universo que conta com uma série animada. Rebel Moon, por sua vez, já está, inicialmente, dividido em 2 filmes. Com isso, o Snyder rompe uma fórmula já vencida, e deixa a sua marca em suas produções e direções.

A mensagem que 300 nos deixa

Para entender 300, como dito, é preciso buscar todas as mensagens entregues em cada detalhe do filme, desde a tradição espartana à decisão corajosa do Rei Leônidas. Ao recusar se render ao povo persa, sob a ameaça do mensageiro de Xerxes, o Rei de Esparta demonstra coragem. E não só isso, como também demonstra determinação, mesmo ao saber que seria uma batalha perdida, pelo fato de seus inimigos serem inúmeros.

Contudo, em nossa análise de 300, destacamos que:

Não importa o tamanho do inimigo. Mas, sim, o ímpeto que você coloca na luta contra ele. Podem parecer numerosos, podem parecer invencíveis, mas não são.

guerreiros espartanos em 300 - portal SnyderCutBR

Entretanto, a mensagem de esperança, vem somente após a determinação dos 300 espartanos, mortos em batalha. Escolhido a dedo por Leônidas, Dillios é um guerreiro espartano que envia a mensagem à Esparta, sobre a batalha, buscando juntar um número expressivo de espartanos que possam combater, de igual para igual, os persas. Desta forma, garantindo a sequência “300, a Ascensão do Império”, Zack nos deixa com a reflexão de que sozinhos, não somos nada, mas que juntos somos fortes. ~ Coincidentemente, a mesma mensagem deixada em Liga da Justiça de Zack Snyder.

O tom sépia

A escolha do tom sépia para 300, não foi aleatória. O sépia, marcado pela escala do marrom avermelhado, além de transformar o tom do filme, em épico, também remete a mensagens simbólicas. Por exemplo, o vermelho remete à guerra e ao sangue, enquanto o marrom à segurança e à humildade. Além disso, a escala de cinzas utilizada, também nos remete ao passado, às lembranças e aos conflitos internos.

Exército persa em 300

Neste sentido, vale constar, ainda, que a palavra sépia é derivada do nome grego e latino do animal choco. ~ Ora, ora, se não é o Snyder surpreendendo novamente! ~ Os antigos filósofos e artistas gregos foram os primeiros a utilizarem a secreção semelhante a tinta do choco em suas obras. Choco é um animal marinho, de cor marrom avermelhado da família dos moluscos, que possui uma bolsa de tinta (bem como a lula, o nanquim), 8 braços, 2 tentáculos e 5 dentes de quitina. Ao se alimentarem, retaliam as presas com a boca, consumindo bastante sangue.

No entanto, por quê isso é interessante? Porque essas retaliações nada mais são do que a representação da batalha em si. ~ Vai, confessa.. é interessante, né?

Um pouco mais de história

Por fim, 300 é uma releitura fictícia da Batalha de Termópilas, durante as Guerras Persas. O longa se tornou um enorme sucesso de bilheteira, arrecadando mais de US$ 450 milhões. Como consequência, foi indicado a vinte e sete indicações e conquistou nove prêmios. Inicialmente, com o roteiro pronto, Zack recebeu vários ‘nãos’ para a realização de 300, dentre eles, de Jim Gianopulos (Paramount). Foi Alan Horn, executivo da Warner, na época, quem apostou em 300. Este filme consagrou Snyder como visionário.

Snyder conseguiu dar continuidade com 300: a Ascensão do Império e chegou a escrever o roteiro do último filme de sua trilogia, que mais uma vez foi podado pela antiga Warner Bros. Em contrapartida, Zack reconhece que o que era pra ser o capítulo final de 300, acabou virando um romance entre Heféstion e Alexandre, o Grande, com a guerra. Contudo, Blood and Ashes, como se chamaria o terceiro filme, segue engavetado pelo estúdio, mantendo todos os fãs do universo, sem muitas esperanças. ~ Quer dizer, até agora. Com a volta do Alan Horn como Conselheiro da WBD, quem sabe!?

Guerreiros espartanos: Sobrevivencialistas e combatentes extremos

Mas, a esperança é a última que morre

E por isso, a propósito, em março deste ano, uma marca de sobremesas sem glúten, grãos e laticínios, a “Paleo Trets”, publicou uma atualização sobre o filme.

Não estávamos brincando quando dissemos que estávamos alimentando o próximo épico de Hollywood. Zack Snyder (diretor de Superman) e Kurt Johnstad (300 + Act of Valor) editando ‘Alexander’ e postaram esta foto. Não sei se merecia sentar no santuário da história de ‘Alexandre, o Grande’, em filme, mas obrigado pessoal. Feliz por alimentar a aventura. Deve estar na hora da crise porque vi que vocês pediram outra caixa!

Seja como for, por seu trabalho, Snyder venceu o prêmio de melhor direção da Academia de Ciências e Ficção Científica dos Estados Unidos. E segue dividindo opiniões…

NOTA: 8,5
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Raquel

Professora, palpiteira, resenhista, revisora, back-end, crítica dos haters, primeira-dama e Staff do SnyderCutBR. Uma entre os mais de 10 mil loucos, insanos, crentes, ~cultistas~, snydetes, stans, fãs, apoiadores, seguidores de Zack Snyder, de suas obras e do nosso Portal. Participante assídua do Release e #RestoreTheSnyderverse, no Brasil, CDF na escola, Nerd na vida adulta. Mergulhei de cabeça na DC e pra sair do padrãozinho, dei uma chance pra cultura asiática, transitando entre os dois universos culturais. 🤭🤫😘

One thought on “Crítica sobre “300” (+16): Mensagens de Esperança e Determinação

  1. Nossa! Nunca pensei no pq do tom sépia em 300 e não é que faz sentido? Aliás valeu por explicar o lance da terra e água pq não entendia bem a ameaça que a Sparta recebeu 😅

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